Rio de Janeiro - O Brasil levará cerca de
dois anos para implementar em todo o território, devido às suas dimensões continentais, o processo de
certificação digital, que dará maior segurança
às transações e serviços efetuados
através da rede mundial de computadores.
A avaliação
foi feita hoje (14) à Agência Brasil pelo presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação
(ITI), Renato Martini. O ITI é uma autarquia ligada à Casa Civil da Presidência da
República.
Além da grande
desigualdade regional que o país apresenta, Martini destacou que há também um grande nível de exclusão
digital. “A certificação digital depende de
computador e conexão à internet. Então, o
Brasil tem que superar o desafio da exclusão
digital”, disse.
O ITI promove na próxima terça-feira (19), no Rio de Janeiro, a etapa regional do
7º Fórum de Certificação Digital
(Certforum), realizado em conjunto com o Centro de Tecnologia da
Informação e Comunicação do Estado do Rio
(Proderj). A realização do Certforum é conjunta com o com o Encontro Nacional de Identificação, evento promovido pelo Ministério da Justiça e pela Polícia Federal.
O Certforum tratará
da certificação digital com foco nas aplicações
e usos pelos órgãos de governo e nos
negócios. “A certificação digital é uma
plataforma tecnológica já enraizada no Brasil nos
últimos anos”, disse Martini. O presidente do ITI enfatizou que o uso dessa tecnologia
resulta em benefícios para as empresas do ponto de vista
econômico, no barateamento e na racionalização de
processos.
A principal vantagem,
segundo Martini, é a chamada desmaterialização, ou seja,
a migração do documento em papel para o documento
eletrônico. “Parece uma coisa singela, mas é um passo
revolucionário, porque nós estamos abandonando um
hábito milenar do papel. É uma mudança brutal na
cultura global. E o certificado digital é essencial nesse
processo porque é ele que dá a validade jurídica
ao documento eletrônico.”
Várias
instituições do governo federal já têm essa
identidade digital. O presidente do ITI disse que o balanço é
extremamente positivo. “No último biênio, o Brasil viu
florescer um conjunto de aplicações de extrema
importância”. Entre elas, ele destacou a nota fiscal
eletrônica, no âmbito da Receita Federal; o Sistema
Público de Escrituração Digital (Sped), que
lançou as bases da empresa digital brasileira; e outras aplicações na Previdência Social, na área
da saúde e no Programa Universidade para Todos (ProUni), do
Ministério da Educação.
“E essa estrutura,
para levar o certificado digital à empresa, ao cidadão
brasileiro, cresceu em grande escala, conforme essa quantidade de
aplicações”, manifestou. Martini lembrou que na
Polícia Federal, o Instituto Nacional de Identificação
(INI) está muito engajado na questão da identificação
civil eletrônica. Na área da Justiça, o documento
eletrônico facilita e agiliza os processos. “A prestação
jurisdicional não é mais viável sem a
tecnologia, sem o documento eletrônico”.
A ideia é
que a certificação digital seja disseminada por todos
os órgãos públicos, nas três esferas
governamentais. “Eu diria que, no último ano, as unidades da
federação começaram a despertar para a importância do engajamento
no tema”, avaliou Martini. O 7º Certforum marcará a adesão do Proderj e do
estado do Rio na estrutura nacional de certificação, lembrou o presidente do ITI.
O próximo passo
será exportar a plataforma tecnológica brasileira,
primeiro para os vizinhos do Mercosul e, mais adiante, para a Europa,
em especial Portugal, de acordo com Martini. “No momento, o
desafio é fazer acontecer aqui. Portugal, provavelmente,
deverá ser o primeiro país a ter uma relação
de trabalho e de cooperação no campo da certificação
digital.